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Mortes por desnutrição voltam a crescer no Paraná

Após atingir em 2014 o menor nível da série histórica iniciada em 1979, o número de mortes por desnutrição voltou a avançar no Paraná recentemente. Segundo informações do Datasus, o banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), em 2016, último ano com dados disponíveis, 243 paranaenses tiveram suas vidas ceifadas por causa da fome, número 24% superior ao verificado dois anos antes, quando haviam sido registrados 196 óbitos.

Em 1979, quando foram registradas 342 mortes por desnutrição no estado, as crianças eram a maior parte das vítimas, respondendo por 89,2% dos óbitos. Trinta e sete anos depois, contudo, verificou-se uma notável redução de 97,5% no número de jovens com até 14 anos de idade vítimas da fome. Com isso, o número de mortes caiu de 305 no primeiro ano da série histórica para 11 no último, com o índice de mortes para cada 100 mil habitantes passando de 10,13 para 0,48.

Por outro lado, a morte de idosos teve um extraordinário crescimento de 876,2% nesse mesmo período. Em 1979, 14 pessoas com mais de 60 anos tiveram a vida ceifada pela desnutrição. Já em 2016 foram 205 óbitos relacionadas à fome entre os mais velhos, que hoje já respondem por 84,4% das mortes. Com relação ao índice de mortes a cada 100 mil habitantes, o valor saltou de 5,57 para 12,52, sendo que desde 1996 mais idosos são acometidos pelo problema do que crianças.

Importante destacar que, segundo especialistas, o número de mortes relacionadas à fome no Brasil é subestimado, uma vez que a desnutrição não é uma causa de óbito de notificação obrigatória. Ainda assim, esses mesmos especialistas confirmam a tendência de queda das mortes entre crianças, em grande medida por conta das políticas públicas bem sucedidas das últimas duas décadas, ao passo que é crescente o número de idosos que não ingerem nutrientes em quantidade suficiente.

Entre os fatores relacionados a esse aumento, estariam situações como isolamento e limitações das aitivadades de vidas diárias.“A má nutrição no idoso pode estar associada a alterações fisiológicas do envelhecimento, a condições sócio-econômicas, a doenças que diminuem o apetite e absorção dos alimentos e a interação com medicamentos, já que os fármacos podem afetar a ingestão e o metabolismo de nutrientes”, apontam pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz.

“Figuram também como causas da desnutrição no idoso o desconhecimento sobre o preparo dos alimentos e a nutrição adequada, problemas dentários, limitações físicas, dificuldade de visão e de ambulação, tremores, isolamento social, depressão, problemas mentais e alcoolismo”.

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