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No Paraná, suicídio avança entre os mais escolarizados

O Paraná bateu recorde no número de suicídios. Segundo informações do Ministério da Saúde, em 2016, último ano com dados disponíveis, foram 768 casos no estado, com a média de dois registros por dia. O número de ocorrências é o maior da série histórica do Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM), iniciada em 1979, e aponta para um aumento nas ocorrências principalmente entre as faixas da população com maior escolaridade.

Nos últimos 40 anos, um total de 20.910 paranaenses deram cabo à própria vida, o equivalente a 7,9% dos 263.462 óbitos por lesões autoprovocadas verificados em todo o país no período. O número de óbitos até chegou a cair em anos recentes no estado, como 2014 (-4,72%) e 2010 (-10,45%). Mas em 2015 e 2016 registraram avanços importantes, de 15,18% e 6,52%, respectivamente.

Um dado curioso é que esse avanço do suicídio na sociedade paranaense tem se refletido principalmente entre as camadas mais escolarizadas da população.

Desde 2002 (quando foram feitas as últimas alterações no campo “escolaridade” nas declarações de óbito), o número de suicidas entre as pessoas com nenhuma escolaridade e 1 a 3 anos de estudos registrou queda de 25% e 42,5%, respectivamente.

Por outro lado, o número de pessoas que resolveram dar cabo à própria vida avançou de forma alarmante entre aqueles que possuem de 8 a 11 anos de estudos (+221,8%) e aqueles que possuem 12 ou mais anos (+68,9%).

Outra questão é que embora o suicídio entre jovens venha ganhando cada vez mais destaque na mídia, no Paraná o problema tem avançado principalmente entre adultos com idade entre 40 e 59 anos.

Entre os menores de 14 anos, por exemplo, houve redução de 64,71% nas notificações desde 1996 (passando de 17 casos para 6), quando passou a vigorar uma nova Classificação Internacional de Doenças (a CID-10). Entre aqueles com idade de 15 a 19 anos e 20 a 29 anos, a redução foi de 32,79% (61 casos para 41) e 20,24% (168 para 134), respectivamente.

Em todas as demais faixas etárias, contudo, verifica-se crescimento no número de óbitos por lesão autoprovocada intencionalmente. As altas mais significativas ocorreram entre as faixas de 40 a 49 anos (+62,77%, com 153 casos em 2016) e 50 a 59 anos (+163,27%, com 129 casos no último ano com dados). Contudo, é a população com idade entre 30 e 39 anos que concentra o maior número de suicídios: foram 171 casos em 2016, 30,53% a mais do que o registrado 20 anos antes (131 casos).

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